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30 de março de 2012

Os Homens Preferem as Loiras

Na semana passada um amigo me perguntou: “Poxa velho, você sempre preferiu as loiras?”. Respondi que isso vem de vidas passadas, até porque Afrodite, a deusa do amor, foi retratada por Botticelli com cachos dourados. Analisando bem, sem dúvida, dentre as “quatro” mulheres que tive na vida, três foram loiras. Coincidência ou preferência?

Associar as loiras com a burrice já virou uma tradição, porém, esta tese é uma das mais incoerentes que já ouvi. Veja que Franzisca Michor é considerada a Isaac Newton da biologia; Corina Tarnita é intitulada uma das mais célebres matemáticas do mundo; Lisa Randal é a top da física nos Estados Unidos; sem falar de Hillary Clinton na política; Gisele Bundchen na moda; Madonna, a rainha da música pop internacional, entre outras loiras espalhadas pelo mundo.


Porém, tratar deste assunto não tem como deixar de mencionar a loira mais famosa de todos os tempos: Marilyn Monroe, a diva-mor do cinema, onde no próximo dia 05 de agosto serão celebrados os 50 anos de sua morte.

Dentre as pré-homenagens, destaco o concurso cultural do site Ahazô, que dentre os desenhos selecionados está um feito pelo meu querido primo-irmão Teeago Lima, caricaturista reconhecido pelos seus traços e por diversos trabalhos realizados desde dos tempos dos fanzines.

Assim se você tiver tempo, vontade, curiosidade e quiser participar deste concurso, acesse o link abaixo e dê o seu voto (basta clicar na palavra "Ahazô", ao lado da coroa, no canto superior direito!).


“Os Homens Preferem as Loiras”, título deste post, é uma referência de um dos filmes de maior sucesso da carreira de Marilyn, uma mulher que brilhou dentro e fora das telas, que foi criticada e contestada, mas que ultrapassou todas as pedras do caminho, fato que num círculo vicioso acontece até os dias atuais, em pleno século XXI com várias outras loiras marcadas e estigmatizadas não somente pela cor de seus cabelos, mas pela ignorância, preconceito e injustiças alheias.

28 de março de 2012

A LUZ e a ESCURIDÃO

Neste final de semana o programa “Domingo Espetacular” da Rede Record, apresentou uma reportagem onde mostrou que o baixista Renato Rocha, que integrou a banda Legião Urbana, atualmente é um morador de rua, mendigando pelas ruas do Rio de Janeiro.

Fiquei com esta matéria na cabeça até hoje, me perturbando e me questionando a respeito dos fatores nela contida.


Independente de qual seja o seu gosto musical, Renato Rocha integrou uma das maiores bandas de rock do país. Isto é fato! Mesmo assim os direitos autorais recebidos pelo ex-músico não pagam as despesas básicas de um mortal normal. Se fosse nos Estados Unidos ou na Europa isso poderia ser diferente.

A equipe de jornalismo da Record tentou sem êxito entrevistar os outros dois remanescentes da Legião Urbana, ou seja, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, que preferiram o silêncio, talvez por razões pessoais desconhecidas.

Deixando de lado o caso específico, percebo que a grande maioria adora ver seu semelhante no fundo do poço. Isso dá prazer!

O ex-baixista da Legião não é o primeiro e nem será o último.

Norma Bengell, uma das divas atrizes do cinema, do teatro e da TV, que reinou a partir da década de 60, atualmente além de pobre, é cadeirante, abandonada e esquecida, passando seus últimos momentos tentando entender toda falta de prestígio que a acompanha há anos.

Você sabe quantas pessoas estiveram presentes no velório do Francisco Di Franco? Talvez pelo nome você nem saiba quem seja, mas foi um dos mais requisitados modelos e ator da teledramaturgia nacional nos anos 70, protagonista do eterno Jerônimo, Herói do Sertão. Em seu velório o número não chegou a dez, sendo que nenhum era do meio artístico.


Além desses, a triste realidade não foi diferente para a atriz Wilza Carla; para o ‘socialite’ Ataíde Patreze; nem mesmo para o Bolinha, apresentador de programas de auditório nos anos 80, entre dezenas de outros que acabaram na lama e no esquecimento.

Eu pergunto: Será que foram eles mesmos que buscaram a sarjeta? O sistema foi justo e reconheceu a importância de cada um deles? Existiu uma nova chance? Ou se analisarmos pela força da energia astral, poderiam ter sido vítimas das pragas lançadas por invejosos (as) ou maldosos (as)?

Sinceramente eu admiro muito mais aqueles que terminaram no escuro, do que muitos que mantiveram a todo custo o brilho dos holofotes. Independente da minha preferência, a certeza é que todos nós iremos acabar, da mesma forma, estando embaixo ou no patamar mais alto desta escada, que sempre dividiu a sociedade.

Embaixo da terra não há divisão, pois os vermes desconhecem aqueles que acabaram no lixo ou no luxo.

27 de março de 2012

Domingo

Acordo desnorteado, e me surpreendo com um imenso copo ao lado da cama. O chá verde, ainda sem açúcar, se torna o primeiro inimigo do dia, mesmo você tendo todo cuidado em me socorrer. Reflexo das minhas extravagâncias da noite anterior.

Sinto meu coração batendo como estivesse dentro do cérebro, o fígado em seus últimos suspiros, e tentar a cura com uma ducha gelada é subestimar meu próprio corpo, diante de todos os males que cometi há poucas horas atrás.

Falei males? Não sei! Isso pode ser analisado em outra circunstância.

Apesar do sofrimento momentâneo, vem alguns flash's do que aconteceu ontem, tendo cada vez mais convicção que a vida é uma reunião de momentos, e a felicidade é complexa, se dividindo em cada pessoa. Não há felicidade, e sim alguns raros momentos felizes, prazerosos e inesquecíveis.

Olhar nos seus olhos vem à sensação que tudo pode ser diferente, e alguns comprimidos, os quais acredito serem milagrosos não resultam melhoras, mas a insistência é permanente até ingerir outros componentes laboratoriais.

O espelho, pavoroso e irreal demonstra um inchaço que se uniu à gordura, que muitas vezes contigo me convenço em ser tudo natural.

A tarde cai. Os carros não param de transitar, e comer me satisfaz.


O dia parece imenso, inacabável, tenso e deprimente, como todos os domingos, até me deparar com a noite, e com uma nova sessão de angústia e depressão, onde travarei uma luta antiga contra o sono, até ver o sol bater na janela e saber que mais uma semana está chegando, e que tudo será da mesma forma.

Será mesmo?

23 de março de 2012

Páscoa sem Chocolate

O senhor poderia me dar um ovo de páscoa? Pode ser pequeno”, foi o pedido que ouvi ontem de um garoto, aparentando ter pouco menos de sete anos, na frente de um supermercado.

O que fiz ou o que deixei de fazer não vem ao caso, mas me fez refletir sobre a questão, num contexto mais amplo.

Pensei por alguns instantes e cheguei a uma triste realidade, que está aparente no nosso dia-a-dia, e que a grande maioria prefere olhar para o lado oposto.

Nesta páscoa, quantas crianças não terão sequer um simples chocolate, ou mesmo um prato de comida em sua mesa. Já parou para pensar? Aliás, você se importa com isso? Espero que sim!


Revolta ver tanta gente com condições financeiras olhando somente para si, como se tudo que girasse ao seu redor fosse por acaso ou então dispensável socialmente, inatingível.

Conheço muitos que rezam, oram, pedem, suplicam, vão a centros espíritas, igrejas, templos, salões, terreiros, pagam seus dízimos, ajudam com doações, e não conseguem enxergar seu semelhante. O alívio de sua consciência quanto à “bondade” se restringe apenas a estes atos fechados.

Chego a defender que o inferno não existe, até porque o tamanho do fogo seria incompatível com a demanda. Haja brasa para queimar àqueles que compõem a fila de espera.

Realmente se um anjo descer e me falar que Deus está revoltado, entristecido, chateado e decepcionado com aquilo mais precioso que Ele criou, que somos nós, podres humanos, não teria razão mínima de contestá-lo. Nossos atos, ou a falta deles justificariam a indignação Divina.

Pelos inúmeros comentários postados, tenho conhecimento que este blog está sendo acompanhado por muita gente. Diante disso, você que tem o mínimo de consideração ou uma pequena pitada de amor, pense em doar um ovo de chocolate, independente da marca, tamanho ou do valor, para uma criança carente, nesta Páscoa, que é considerada a segunda maior celebração do Cristianismo.

Certamente você sabe que a Páscoa simboliza a ressurreição de Jesus Cristo; então aproveite esta corrente para deixar renascer em você um sentimento mais coletivo, menos egoísta, mais fraterno.

Faça de coração, e não por obrigação!

Será um simples gesto que te fará bem.

21 de março de 2012

Filme Sem Título

Passei diversas vezes na frente do bar, e a mesa permanecia vazia na calçada, da mesma forma que antigamente a encontrava nas noites quentes, perambulando pela cidade.  Não sei o que houve, mas algo me segurava, e eu não conseguia parar. A popularidade não existe mais, e os personagens do desenho se tornaram adultos, não tendo mais sentido acompanhar o texto redigido, o qual não passa de decadente e com um final totalmente previsível.

As ruas conhecidas se transformaram num imenso labirinto, não conseguindo encontrar uma só alternativa, e cada lugar que passava me trazia lembranças confusas, tenras, ilusórias que fizeram meu cérebro processar em fração de segundos.


Voltei para casa e o silêncio me acompanhou por horas, onde fui perceptível ao som do vento, que tentava entrar para me fazer companhia. Preferi desligar o telefone, as luzes, e tudo que pudesse romper a solidão. Senti medo, pavor, tristeza, chegando a um desespero intenso, até que fui obrigado a voltar a realidade, a qual tenho que enfrentar, custe o que custar.

Disseram-me que a vida é feita de escolhas, mas nem sempre conseguem respeitar o caminho que você quer trafegar, sendo mais fácil julgar, sem qualquer análise. Sou suspeito daqueles que defendem que tudo tem dois lados, teoria que nem sempre é aplicada na prática.

Estou cansado físico e mentalmente, sendo este mais um dia, que no futuro preferia não lembrar, mas que faz parte da minha história, repleta de elementos que podem ser úteis a qualquer longa-metragem.

O título você pode escolher, até porque na minha vida não existe mais diretor, nem texto a ser decorado ou figurino a ser vestido, apenas um roteiro, uma sonoplastia adquirida e alguns personagens que ninguém conseguirá mudar.

19 de março de 2012

Pasta Preta

Mal abro a porta e encontro dois envelopes no chão. Vou guardá-los numa pasta destinada a este tipo de encomendas, quando começo a tirar tudo de dentro e vejo: Conta de Luz; Conta de Água; Condomínio; Aluguel; Internet; Telefone; Celular; Prestação da Casa; Prestação do carro; Seguro de Vida (Importantíssimo); Plano de Saúde; Parcela de Empréstimo Bancário; Cartão de Crédito; Plano Odontológico; Boleto mensal do restaurante; Plano Funerário; Parcela da OAB; e, demais faturas que não quero nem ver.


Bastaria eu ficar no escuro, sem água para beber, não tendo contato com ninguém, andando com as minhas próprias pernas, evitando o supérfluo da alimentação, sofrer as conseqüências em hospitais públicos quando adoecer, tirar os dentes da boca, largar minha profissão, não me importar com quem vai ficar neste mundo, e quando morrer ter meu corpo jogado em qualquer buraco, para me livrar destes compromissos, que tendem a me seguir pelo resto da vida. Esses sim são companheiros fiéis.

Imediatamente coloco tudo de volta no compartimento, fechando os elásticos com dificuldade, diante de sua larga e alta dimensão, e me dirijo ao primeiro boteco, pensando: Se um dia eu ganhar na mega-sena eu pago estas contas. O restante eu penduro.

Por outro lado, conheço pessoas com muito dinheiro, as quais não conseguem viver bem, sequer desfrutando de um momento simples como este, nos botequins da vida, desconhecendo algumas leis promulgadas em balcão, que “o banheiro é a igreja de todos os bêbados”, ou mesmo que “no bar não se cope no chão”.


Vou tomar o primeiro de alguns copos, ao lado de alguns sujeitos, que não precisam ser comprados para manter-se em minha companhia até a porta abaixar, e amanhã, se tudo conspirar ao meu favor, retornarei meu pensamento naquela mesma pasta, da cor compatível com o que ela possui no seu interior.

Um brinde! Tim-Tim as minhas dívidas!

17 de março de 2012

O REGIME

Roda o cd “Sessão da Tarde”, do meu querido amigo Léo Jaime, o qual sou fã incondicional desde os anos 80, quando ouço penetrando nos ouvidos o verso:

“O cara gasta uma fortuna pra engordar;
Champagne, lesma, camarão e caviar;
Manhã seguinte tem ressaca e depressão;
Porque a barriga cresce junto com a inflação”.

Apesar de integrar o chamado lado “B” da discografia do artista, pouco executada pelas rádios da época, a letra se identifica muito com a minha atual condição física.

Com regular semelhança em cada frase, vem à sensação de culpa por tudo que ingeri nestas últimas 18 horas: Lanche, chocolate, alguns refrigerantes, quatro pedaços consideráveis de pizzas e pratos de doces protegidos na geladeira. Quem mandou você fazer? Não precisa responder! Melhor não nos aprofundarmos neste assunto gastronômico.


Fazendo um adendo, preciso revelar um segredo pessoal: Depois de alguns anos ausentes, no final da década de 90, após o lançamento do álbum “Todo Amor”, Léo Jaime reapareceu na mídia, um pouco roliço, no bom sentido, ou melhor, “cheinho”, como preferem as garotas, onde confessei somente para minha consciência: Um dia quero ser igual ele! Dito e feito. Não imaginava que este dia chegasse tão rapidamente.

“O problema é o regime que não dá satisfação”, até porque nem comecei, e tampouco tenho data definida de iniciá-lo, mesmo com algumas dificuldades, as quais todo(a) gordo(a) passa diariamente.

Comportar quase 105 quilos, ou seja, 07 arrobas, ainda que distribuídos em 1,86 de altura não é fácil. Dificuldades de amarrar o tênis, andar poucos metros tentando manter o fôlego, se virar na cama sem esmagar a barriga, colocar aquela calça jeans esquecida no guarda-roupa, ser ponto de referência em lugares públicos, sempre o primeiro a receber o cardápio, e principalmente recusar o último pedaço de bolo são algumas das tarefas que somente nós, acima do peso, temos que enfrentar.

Já que entrei neste aspecto, prefiro mil vezes ser tratado de gordo a obeso, soando mais direto, informal e menos ofensivo. Apelidos como “gordinho da churrasqueira”, “fenômeno”, “pacman” passaram a ser desconsideráveis próximo a este termo que dizem ser politicamente correto. Não que eu seja um exemplo de saúde, mas pra mim, obeso equivale a doente, aqueles que não tem alternativa, senão entrar no bisturi e tirar metade do estômago. Sem chance!

Ainda que tenha um tempero debochado, grelhada com uma leve crítica social e regada ao molho de muito humor, “O Regime” do Léo já passou pelo aparelho, enquanto escrevia este post, sendo executada neste instante a última faixa que por sua vez me deixou um pouco deprimido, necessitando de algum belisco para degustar, a fim de amenizar esta minha angústia física.

 “Beijo do Gordo! Uôuhhh!”

15 de março de 2012

O Homem

Ontem no meio da palestra no centro espírita, novamente meu coração deu sinais negativos de uma vida sedentária, conturbada, desgastante e agitada, elementos que me acompanham há algum tempo. Tive a sensação que as pessoas ao redor, percebiam me retorcer, incomodadas pela minha inquietude e talvez pela palidez, diante daquela sensação estranha como fosse uma faca rasgando meu peito.

Aguentei até os 45 minutos do segundo tempo, onde ao término da sessão, não tive outra alternativa, senão buscar por socorro, sendo que aquele incômodo estava insuportável, e o trajeto parecia infinito até chegar na UPA – Unidade de Pronto Atendimento. Tive receio que alguma coisa fosse acontecer enquanto dirigia, já que não enxergava um palmo de distância em minha frente.

Interessante que logo ao entrar no rol principal, nem precisei me manifestar, talvez pelo meu semblante ou por amparar o braço esquerdo, na tentativa de alívio, sendo encaminhado num passe de mágica para a famosa sala P.A. (Pré-Atendimento), onde mediram a pressão arterial e imediatamente me colocaram numa maca, me destinando a “Urgência”.

Apesar de rápido, tive momentos marcantes deitado naquela cama com rodinhas, principalmente quando aquelas lâmpadas do teto passaram como marcadores de rodovias, lembrando uma cena do filme “Eu Te Amo”, com Sônia Braga e Vera Fischer.


Quando percebi, já estava sem camisa, com uma porrada de fios – sensores pregados no meu peito, interligados a um aparelho televisor, que revelava a frequência cardíaca, até me aplicarem uma injeção e sair um papel, tipo extrato bancário, que foi encaminhado ao médico.

Naquele instante questionei comigo mesmo: Será que até aqui, na UPA, ficam sabendo se tenho ou não restrição no meu nome? Tem algum departamento interligado ao SERASA?

Depois de alguns instantes chega o doutor responsável, fazendo diversas perguntas, as quais todos já sabem: Você fuma? Bebe? Faz exercícios? Sexo? Usa droga(s)? Já teve problemas cardíacos? Toma algum remédio? Quanto tempo que começou a dor? Sinceramente pelas perguntas, pela atenção especial da equipe de enfermagem, e pela rapidez que me atenderam, achei que meus minutos no planeta Terra estavam chegando ao fim; até que a dor foi aliviando e a vontade de sair daquela unidade médica foi aumentando.

Sumir de lá era meu único objetivo, principalmente depois de saber que se em uma hora não houvesse uma melhora, seria encaminhado à internação na Santa Casa. Internar? Nem pensar! Mesmo que eu tiver que mentir, até porque os sintomas nada mais foram que “aquela dor no peito, que eu escondi direito, e naquele momento surgiu”, contidas na bula da música “O Homem”, de autoria do saudoso Raul Seixas.

13 de março de 2012

TELEMÓVEL

Rezo para não tocar,
Para não trazer notícias ruins,
Perturbando sem parar,
Com torpedos incompletos,
Restrito nem pensar;

Algumas chamadas eu perdi,
Já não quero encontrar,
Conta imensa por falar,
Vibração que me incomoda,
O som que custa silenciar;

Viciado enquanto ligado,
Esquecido quando apagado,
Mesmo com as quedas constantes,
Insiste em despertar,
Por enquanto te odeio,
Necessário celular.


12 de março de 2012

Trinta e Três Anos Depois

Ainda menino, morando numa casa simples, mas acolhedora, na rua Cônego Valadão, em Guarulhos, tive o primeiro contato com a obra dele, num disco 78 rpm, o famoso “bolachão”, com alguns clássicos musicais que até os dias atuais permanecem imortais.

Os anos passaram, inúmeras músicas emplacaram, mas a simplicidade, o jeito, a tranquilidade e o estilo permaneceram os mesmos, com a mistura do moleque e do malandro que marcam sua personalidade.

Considerados por muitos como um dos percussores do samba carioca, este crioulo apesar de bairrista, com orgulho, levou seu som para todo o país, e inclusive para o exterior, onde se apresentou nos outros quatro continentes.

O sujeito ganhou diversos prêmios, inclusive o Prêmio Shell da MPB em 1991, e no seu currículo além de ícone de uma das grandes agremiações carnavalescas cariocas, coleciona nove lançamentos de livros, o documentário “O Pequeno Burguês”, filme lançado em 2009 e 48 cds compondo sua discografia.

Admirado por pagodeiros, rappers, intelectuais da MPB, roqueiros e até mesmo por músicos eruditos, a unanimidade vem da identificação e qualidade do seu trabalho, com o respeito por seu público, onde não se entregou as modas e nem mesmo ao sistema, nestes 45 anos de carreira.

Nesta caminhada musical já tive o prazer e o desprazer de assistir diversos shows, de todos os estilos musicais, nacionais e internacionais, mas jamais este, que pra mim, particularmente, está na relação dos mais aguardados e esperados, onde graças aos deuses da arte e a oportunidade que o SESC São Carlos está concedendo, deixará de constar do rol dos eventos não vistos, no próximo dia 29 de março, depois de 33 anos após aquele primeiro contato com o clássico disco “Canta Canta, Minha Gente”.

Salve Martinho da Vila, o garoto de 74 anos, um dos mais importantes expoentes da cultura nacional.

@"Canta Canta, Minha Gente"